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Parceria com o World Food Programme visa melhorar a produção das culturas – e das vidas – em Moçambique

  • Por Arable Staff

As alterações climáticas são tangíveis em Moçambique. Tempestades intensas causam cada vez mais inundações durante a chuvosa estação de crescimento, seguida por uma estação seca severa e prolongada. Isso mantém os pequenos agricultores do país – em sua maioria mulheres que trabalham em pequenas áreas de multiculturas de sequeiro – em estado reativo, enquanto tentam alimentar suas famílias. Em 2019, Moçambique foi o país mais afetado por eventos climáticos extremos no mundo. De acordo com o World Food Programme (WFP), o clima severo ameaça a segurança e a nutrição de 70% da população local, que depende da produção agrícola para se alimentar e subsistir, e 25% da economia do país.

Em resposta, o WFP implementou a R4 Rural Resilience Initiative, um programa que permite a famílias rurais em situação de vulnerabilidade ​​aumentar sua segurança alimentar e de renda, gerenciando os riscos relacionados ao clima. Esta iniciativa começa e termina dentro da comunidade, com os agricultores diretamente envolvidos. O objetivo em Moçambique é criar um ecossistema de apoio que dê aos pequenos produtores autonomia sobre seus meios de subsistência.

Esta iniciativa começa e termina dentro da comunidade, com os agricultores diretamente envolvidos. O objetivo em Moçambique é criar um ecossistema de apoio que dê aos pequenos produtores autonomia sobre seus meios de subsistência.

O início: Um plano para dados climáticos

Alinhada aos objetivos da R4, a Arable se inscreveu no 2021 WFP Innovation Accelerator, uma incubadora de startups focada em combater a fome mundial de maneira criativa. Para isso, foi desenvolvido um plano para utilizar dados de precipitação no campo como ferramenta para aumentar a produção e mitigar o risco climático.

Antes, os agricultores de Moçambique tinham acesso a informações meteorológicas remotas, mas a precipitação é altamente variável e as estações de medição ficavam localizadas nas capitais – a quilômetros de distância das fazendas rurais. Dados direto das lavouras aperfeiçoam o monitoramento e levam a melhores decisões agronômicas, além de respaldar os seguros que se baseiam em parâmetros climáticos e soluções de microfinanças. E a Arable foi escolhida entre mais de 200 candidatos para avançar à próxima fase: um treinamento de duas semanas para aprimorar a proposta.

Membros da R4 Rural Resilience Initiative, do WFP, treinam agricultores locais.

O treinamento foi altamente colaborativo. Feito de forma remota, por conta da pandemia, as nossas equipes cruzaram conhecimentos e fusos horários. Também discutimos sobre agricultura, finanças e desenvolvimento com diversos especialista do WFP, entre eles Pedro Chilambe, coordenador do Projeto Integrado de Gestão de Riscos Climáticos em Moçambique. Essa experiência nos deu uma visão mais profunda dos problemas enfrentados diariamente pelos produtores, o que foi essencial para criar uma solução baseada na região e que seja de fato relevante para os pequenos produtores. No final da sessão, a Arable recebeu uma concessão da R4 para dar vida ao projeto.

“Trazer representantes de governos, especialistas e tomadores de decisão para discutir, abordando as consequências climáticas e usando dados de campo como ferramenta para aumentar a resiliência dos ecossistemas locais – foi por isso que fundamos a Arable”, diz Jess Bollinger, Vice-presidente de vendas e desenvolvimento de negócios, que está na empresa desde sua concepção e foi responsável pelo ingresso no projeto do WFP.

“Trazer representantes de governos, especialistas e tomadores de decisão para discutir, abordando as consequências climáticas e usando dados de campo como ferramenta para aumentar a resiliência dos ecossistemas locais – foi por isso que fundamos a Arable.”

JESS BOLLINGER, VICE-PRESIDENTE DE VENDAS E DESENVOLVIMENTO DE NEGÓCIOS NA ARABLE

A implementação: Combinando novas tecnologias com a sabedoria de gerações

Como parte de um esforço mais amplo de Chilambe, que inclui 13.100 agricultores das províncias áridas e semi-áridas de Tete, Gaza e Sofala, o projeto-piloto levou 30 dispositivos Arable Mark ao distrito de Changara (Tete). Lá, eles seriam instalados em campos cultivados por 2 mil trabalhadores rurais. Mas, antes de dar início ao monitoramento, a equipe precisou ganhar a confiança deles..

Na zona rural, técnicas tradicionais de cultivo são passadas de pessoa para pessoa, geração para geração. São fruto de observações, histórias e vivências. Liderada em Moçambique por Chilambe e, nos EUA, por Walter Jove, Gerente de parcerias LATAM da Arable, a equipe partiu dessa premissa. Eles ouviram 400 produtores para entender como tomavam suas decisões agrícolas em relação ao clima e do que precisavam para ter sucesso com elas. Eles também falaram com 18 intermediários e consultores agronômicos, que ajudam agricultores a decidir quando, onde e o que plantar e colher.

O passo seguinte foi apresentar o dispositivo Mark aos produtores e encontrar maneiras de combinar tecnologias antigas e novas. Enquanto os agricultores manuseavam o leve dispositivo, Chilambe e Guilherme Martins, associado sênior de suporte ao cliente da Arable em Piracicaba, conduziam palestras em português. Eles explicaram como os sensores funcionam, como atendem aos requisitos de serviços climáticos do R4 e por que é importante coletar informações sobre chuva ao longo do tempo direto da lavoura. Quando chegou o momento de falar sobre a instalação, os próprios agricultores tomaram a palavra e decidiram em que áreas os dispositivos seriam instalados e como gostariam de receber os dados.

Membros da equipe do WFP apresentam o Arable Mark a produtores em Moçambique.

“Todo o processo foi colaborativo e estimulante,” conta Jove. “Foram os próprios agricultores que nos ensinaram sobre o que era preciso para que confiassem em nossos sensores e conseguimos personalizar as ferramentas para eles. Em Moçambique, há muitas oportunidades para incrementar as práticas agrícolas e os meios de subsistência dos pequenos agricultores. Por isso é importante escutar atentamente às suas necessidades no campo.”

O lançamento: Expandir os canais estabelecidos

Antes do lançamento do piloto, o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) já havia começado a fornecer previsões regionalizadas em nível distrital e a Universidade de Reading emitiu boletins climáticos. As informações foram divulgadas via mensagens de texto, grupos de WhatsApp, transmissões em rádios comunitárias e conversas em clubes agrícolas. Os intermediários ajudaram os produtores, que geralmente têm pouca ou nenhuma formação acadêmica, a interpretar e analisar dados históricos de chuva e depois usá-los para tomar decisões agrícolas.

Com base nesses canais estabelecidos, a Arable atuou em parceria com o INAM e a universidade no processamento de dados de campo para precisão, uma troca de informações valorizada por todos os envolvidos. A equipe também começou a trabalhar em uma nova iteração dos boletins climáticos – uma interface de SMS simplificada para trazer dados de precipitação hiperlocal do campo para o telefone do agricultor.

Ao longo de cinco meses, o projeto ofereceu uma visão mais profunda do clima e da dinâmica de campo para culturas de sequeiro. O tempo certo de início e encerramento da estação de crescimento foi registrado, assim como os detalhes sobre eventos extremos de precipitação, que se tornaram o novo normal nas fazendas em toda a área.

Próxima fase: Olhar para o futuro

O projeto foi estendido com um segundo piloto, que deve ser lançado durante a estação seca. Esta fase leva a Arable aos pequenos agricultores que trabalham em campos irrigados e abrange uma combinação mais ampla de culturas. A nova ferramenta de SMS será integral. Os agricultores receberão mensagens de texto com dados sobre precipitação e temperatura a cada hora, leituras do dia anterior e uma previsão para o dia seguinte. Trabalhando com intermediários agronômicos, eles poderão aproveitar as informações para programar a irrigação, economizar recursos e aumentar seus rendimentos.

Membros da equipe do WFP com agricultores próximos a um Arable Mark instalado em uma fazenda em Moçambique.

A inovação baseada em dados também alcançará o mercado. Em vez de depender de medições manuais dos pluviômetros ou relatórios meteorológicos complexos, os pagamentos de seguros estão sendo justificados por métricas de precipitação vindas direto do campo. Com os parâmetros bem definidos, o processo foi agilizado e ficará mais simples para os produtores.

“O componente de serviços climáticos do R4 tornou-se o elo entre os diferentes agentes, pois permite ao INAM monitorar melhor as circunstâncias meteorológicas e cria uma plataforma e uma base comparativa para o produto de microsseguro prosperar,” afirma Chilambe. “É muito importante garantir que este produto esteja sendo distribuído e pago de forma justa aos produtores.”

“O componente de serviços climáticos do R4 tornou-se o elo entre os diferentes agentes, pois permite ao INAM monitorar melhor as circunstâncias meteorológicas e cria uma plataforma e uma base comparativa para o produto de microsseguro prosperar.”

PEDRO CHILAMBE, COORDENADOR, DO PROJETO INTEGRADO DE GESTÃO DE RISCOS INTEGRADOS, WORLD FOOD PROGRAMME

Outros produtos de microfinanças previstos incluem poupanças e empréstimos captados nos vilarejos, que gerem dividendos aos produtores e que possam ser reinvestidos. E, quando os produtores alcançarem um certo grau de resiliência, poderão obter um microcrédito para ter acesso a mercados onde possam vender o excedente.

O maior benefício, no entanto, é viver em uma comunidade capaz de se adaptar e prosperar em um clima que muda constantemente. Estes projetos são o primeiro passo. A iniciativa R4 do WFP em Moçambique será financiada até 2025. As próximas fases podem incluir outras métricas de campo na interface de SMS ou a instalação de mais dispositivos Mark em comunidades próximas. Com dados precisos, as possibilidades parecem infinitas – e estamos apenas começando.

O maior benefício é viver em uma comunidade capaz de se adaptar e prosperar em um clima que muda constantemente. Com dados precisos, as possibilidades parecem infinitas.

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